
A idade vem rasteira. Ela chega manipulando a nossa mente. Quando nascemos…queremos voltar pro útero (o que não seria má idéia em muitas vezes e casos..). Aí, depois daquela adaptação original…queremos ficar mais velhos mais rápido. Porque assim – pensamos – teremos mais poder e autonomia pra fazer um monte de coisas (que ao atingir a idade de fazer), nós protelaremos com todas as forças. E aí, crescemos, e o processo se inverte. Queremos voltar atrás. Porque achamos que tudo seria muito melhor, se tivéssemos a experiência que temos agora – convenientemente esquecendo que toda esta experiência foi atingida com os longos, tediosos e complicados processos naturais de desenvolvimento e aprendizado. Resumindo: nunca estamos satisfeitos.
É válido então, questionar se devemos temer à passagem do tempo?
Eu acredito que sim. É a melhor maneira de refletir sobre as decisões e escolhas que fizemos em dado momento (teoria do caos e toda aquela história). É sábio entender que o corpo é uma máquina perfeita, e por isso mesmo, tem validade e necessita de cuidados – de “hard e soft wares”. É prudente temer o futuro, ainda que não tenhamos o menor controle sobre ele – tudo o que projetamos é apenas uma ilusão.
Eu tenho refletido bastante, ultimamente. Sem a menor pretensão ou programação para isso. Quase que uma coisa instintiva, que eu não encaro como alarme, ou nenhuma paranóia semelhante.Tenho pensado nas minhas escolhas. No que eu fiz, no que eu faço, e no que eu vou ou não fazer. No que eu deveria ter feito e não fiz, não na hora certa. No que eu deveria ter feito antes, mas apesar de procrastinar, eu acabei fazendo – e se “antes tarde do que nunca” é válido em todo caso.
E quanto mais eu penso, menos eu tenho certeza. É engraçado..Não, diria…curioso (porque em muitas vezes não tem a menor graça). Mas é um vício que eu não consigo abandonar: o de tentar entender o porque das coisas. isso pode ser minha ruina, mas não vai mudar jamais.
O que eu mais penso ultimamente é sobre a relação velocidade/validade das coisas. Das relações, das amizades, das promessas, das pessoas. Tem gente que me diz EU TE AMO, sem sequer me conhecer. O mesmo vale pra quem me ODEIA – com a diferença é que quem diz me odiar, só tem preguiça ou medo. Quem diz amar pretende roubar algo de mim que eu não posso me dar ao luxo de perder.
O bom da idade, é que você vai aprendendo a tolerar e perdoar quase tudo. Ao preço de, claro, as verdadeiras mágoas se afundarem cada vez mais num oceano de ressentimento, de dor, no qual eu pretendo nem passar perto, porque sei que se navegar por estas águas…vou me afogar voluntariamente.
Portanto, enquanto vou vivendo, pensando, analisando, eu vou tentando perdoar a todos, e até a mim mesmo, porque não me considero perfeito nem quando minha auto-suficiência grita por isso. O que não quer dizer que eu não me ame e não conviva perfeitamente comigo.
Por isso, eu perdôo a todos que de certa forma tentaram me iludir, me enganar, me enrolar, me sacanear, me prejudicar.
Perdôo a todos que num momento de fúria, disseram coisas que me magoaram. Mas não perdôo quem sabia exatamente onde me atingir porque descobriu por mim mesmo, e usou isso num momento de fraqueza de caráter.
Perdôo quem tentou me trapacear, porque entendo que foi sua maneira de dizer: “eu não consigo vencer por métodos limpos, você é forte demais!”.
Perdôo a mim mesmo, por ter sido tão fraco às vezes, que acabei tomando decisões que me levaram à beira de abismos – e algumas vezes até dentro dele. Porque a corda que eu usaria pra me enforcar, acabou me tirando de lá.
Perdôo a quem não me entende e desistiu de me entender, porque cada alma é um universo. Quem consegue sequer SE entender por completo? Que pretensão seria esta de se compreender outra pessoa?
Só não evolui o suficiente para aprender a perdoar aos que tocaram meu coração. Porque estes foram convidados a ter o melhor de mim a um custo zero – se tem recíproca, é troca, não negociação: ambos dão e ambos recebem. Eu abri as portas, e não pegaram nada do que eu podia dar de melhor, mas roubaram tudo o que eu não podia. A estes…eu reservo o fundo do oceano pelo qual eu não navego mais. Por medo, por mágoa, por sabedoria, por qualquer motivo – menos indiferença.
Mas o importante é saber que perdão não quer dizer segunda chance. Perdão muitas vezes significa “siga seu caminho em paz”.
Espero ser perdoado, não só por mim mesmo. E espero mais ainda jamais ter tocado o coração de alguém pra deixar um buraco. Ainda que eu jamais tenha feito isso conscientemente, mas aí…sempre …é só o tempo que pode responder.
Enquanto isso, vou correndo contra o tempo. O que me resta, o que me roubaram, o que eu perdi sozinho,. Não tem muito mais que eu possa fazer, a menos…correr, a 100mph…mesmo que a corrida pareça muito lenta.
Continuem correndo.
K.
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